Pensar Maior a Longevidade: o desafio é tornar mais anos em melhores anos
A longevidade é um enorme desafio para Portugal, um dos países mais envelhecidos do mundo. No segundo evento do ciclo de encontros “Pensar Maior”, a seguradora Fidelidade discutiu tendências e soluções para tornar mais anos em melhores anos.
A esperança de vida média em Portugal é de 82,3 anos, mas apenas 58,3 desses anos são atualmente vividos com saúde. Com um dos mais altos índices de envelhecimento da União Europeia – 188 idosos para cada 100 jovens -, Portugal enfrenta a necessidade de repensar políticas e de desenvolver soluções para garantir qualidade de vida e bem-estar ao longo de todo o ciclo de vida de cada pessoa.
Desta forma, a longevidade é um dos desafios mais significativos do século, afetando todos os setores da sociedade portuguesa. Para responder a esta realidade, não só é essencial adaptar o setor da saúde e da segurança social às novas exigências como também é fundamental considerar o impacto desta realidade nas finanças pessoais e na sustentabilidade económica, além do impacto nos desafios sociais, como o aumento da solidão e da dependência.
Longevidade para dar vida
Para a Fidelidade, a seguradora líder de mercado em Portugal, este é um tema em que a empresa pode criar impacto positivo e contribuir para garantir que cada fase da vida dos portugueses seja vivida com dignidade, segurança e realização pessoal. Ou seja, a Fidelidade pode ajudar a construir um futuro em que a longevidade seja sinónimo de qualidade de vida e de novas possibilidades. Como afirmou Rogério Campos Henriques, CEO da seguradora, na abertura do evento “Pensar Maior a Longevidade”, parafraseando John F. Kennedy: “A longevidade não é apenas uma questão de acrescentar anos à vida, mas sim de acrescentar vida aos anos.”
Este evento, que teve lugar muito recentemente em Azeitão, reuniu mais de 300 colaboradores e parceiros da Fidelidade, com outros três mil a acompanhar o programa online, e fez parte do “Road to Pensar Maior”, um ciclo de eventos da seguradora que tem como objetivo construir e partilhar conhecimento, lançando uma visão estratégica para os próximos anos. No programa deste evento, a Fidelidade procurou endereçar as principais problemáticas da longevidade, em todos os ciclos de vida, com uma manhã dedicada aos mais de 60, e a tarde dedicada aos adultos, famílias, e aos jovens, qual “história de Benjamin Button”, percorrendo as diferentes gerações ao longo do dia.
Mais e melhores anos
Efetivamente, se vivemos mais tempo graças aos avanços da ciência e à melhoria das condições de vida, isso não significa necessariamente que vivemos melhor. Como afirmou Rogério Campos Henriques, “mais anos não significam necessariamente melhores anos”, assumindo que a Fidelidade “tem a possibilidade – para não dizer a obrigação – de fazer muito mais, pela qualidade da longevidade, em quatro eixos fundamentais: saúde, assistência, poupança e sustentabilidade”. Para o CEO, “a Fidelidade quer ser reconhecida como consultora de longevidade dos portugueses, pelo futuro das gerações e pelas gerações do futuro”, concluiu.
58,3 anos Esperança média de vida saudável
47,1 anos Idade média da população
Portas aborda soluções
A manhã ficou marcada pela intervenção de Paulo Portas, orador convidado para este evento. O ex-ministro e dirigente político perspetivou o problema de Portugal como terceiro país mais envelhecido do mundo (só atrás do Japão e de Itália) em termos geopolíticos, e sublinhou a necessidade de adaptação das políticas públicas e da criação de consensos para garantir a sustentabilidade da segurança social, com soluções que levem em conta as mudanças demográficas. Na perspetiva de Portas, “os problemas causados pela crise demográfica são incontornáveis, e a falta de ação apenas agravará o problema todos os dias”, concluiu.
O primeiro painel da manhã debateu questões cruciais sobre o envelhecimento da população e as suas implicações para a saúde e a sustentabilidade financeira das pessoas. Os três convidados deste primeiro painel foram Ana Rita Gomes, membro da Comissão Executiva da Multicare, Sofia Oliveira, neurologista, e José Eduardo Bonito, da direção de Negócio Vida Financeiros. Ana Rita Gomes destacou a importância de promover a longevidade com qualidade, enfatizando que o foco da Multicare não só é garantir proteção, como promover prevenção. Para a responsável, “mais vale prevenir do que remediar”, uma máxima que se reflete na prioridade que é dada à prevenção, nomeadamente das doenças crónicas, além do foco na promoção de hábitos saudáveis e da saúde mental.
Estilo de vida impacta risco neurológico
Neste contexto, Sofia Oliveira, médica especializada em neurologia, falou sobre o impacto que um estilo de vida saudável pode ter na redução do risco de doenças neurológicas. Os estudos mostram que, com um estilo de vida mais ativo e saudável, é possível reduzir o risco de doenças neurológicas em até 40%. Por sua vez, José Eduardo Bonito abordou os desafios financeiros das pessoas com mais de 60 anos, com enfoque especial na dificuldade em poupar devido às pensões baixas, ao endividamento e aos encargos com filhos, que demoram a sair de casa, e com pais idosos. O responsável afirma que é necessário que cada um faça, cedo na vida, um diagnóstico, planeamento e ação sistematizados para garantir a sustentabilidade financeira mais tarde na vida.
A longevidade não é apenas uma questão de acrescentar anos à vida, mas sim de acrescentar vida aos anos.
Plataforma Sofia é inovação
O painel moderado por Laurentina Caldeira, da direção de Negócio Vida Risco e Acidentes Pessoais, discutiu o desenvolvimento de soluções inovadoras para a assistência à saúde e à vida das pessoas com mais de 60 anos, com ênfase na proteção, assistência domiciliária e cobertura de acidentes pessoais. Os intervenientes foram Maria do Céu Lourenço, da Loja Fidelidade Cantanhede, Joana Afonso, da CareCeiver, e Daniel André, do Center for Transformation da Fidelidade. Nesta área, a plataforma “Sofia”, que está a ser lançada como um ecossistema de serviços personalizados, associado à Fidelidade, e focado nas necessidades desta faixa etária, é um bom exemplo. “Estamos empenhados em desenvolver produtos e serviços que respondem às necessidades dos 60+. Queremos garantir que as pessoas envelhecem com qualidade e proteção”, declarou Laurentina Caldeira.
Seguros querem personalizar
A tarde foi dedicada aos adultos e famílias e abriu com uma incisiva intervenção de Maria João Sales Luís, CEO da Multicare, sobre a evolução dos cuidados de saúde e do setor e oferta de seguros de saúde que, na sua perspetiva, necessita de evoluir, e vai continuar a evoluir. Por outro lado, a CEO sublinhou a responsabilidade de cada pessoa na sua saúde: “A gestão da saúde é uma responsabilidade individual, e devemos estar todos mais conscientes dessa responsabilidade.” Do lado dos seguros de saúde, afirmou, é preciso “personalizar os programas de saúde e oferecer soluções de prevenção adaptadas a cada caso”. Neste contexto, a transformação digital irá ajudar na antecipação das necessidades de saúde de cada um. Para Maria João Sales, “a inteligência artificial, a genética e a automação irão transformar o setor de saúde, permitindo uma intervenção mais rápida e eficaz, com foco na prevenção e na personalização do cuidado antes e logo que a doença se manifeste.”
Desafios no setor da saúde
A acessibilidade da saúde, com o crescimento da telemedicina, e a inovação tecnológica, prevenção, financiamento e impactos das doenças crónicas na sociedade foram objeto de debate nos painéis seguintes. Para José Santos, médico e diretor clínico da Multicare, o sistema de saúde enfrenta grandes desafios em termos de capacidade de resposta, o que reforça a importância do acesso digital à saúde. Precisamente a área em que se situa Daniel Maia, da Teladoc, que tem uma parceria com a Fidelidade nesta área da telemedicina, cuja procura tem vindo a crescer muito e cuja oferta de serviços se continua a expandir.
Na questão dos desafios para o setor da saúde, na perspetiva de Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, “a primeira grande tecnologia da saúde é a disciplina pessoal que evita que fiquemos doentes“. No contexto hospitalar, afirmou, a utilização de “big data” vai tornar-se crucial, “permitindo a personalização da medicina e tornando-a mais preditiva”. Já José Carlos Machado, professor e investigador do instituto i3S, destacou a natureza imprevisível de muitas doenças e afirmou que “60% dos cancros são resultado do azar”, referindo-se à imprevisibilidade da mutação genética, que é um desafio para a medicina preventiva. No entanto, o responsável reafirmou a importância da deteção precoce. Quando diagnosticado nos estádios iniciais, o cancro tem atualmente uma taxa de cura muito significativa, assegurou.
Cinco gerações
Na sua intervenção, que abriu uma parte do evento dedicado à vida financeira das famílias e dos jovens, António Sousa Noronha, da Comissão Executiva da Fidelidade, começou por destacar que hoje convivem juntas cinco gerações – Baby Boomers, X, Y, Z e Alphas – e que essa diversidade traz tantos desafios quanto oportunidades para o mercado das soluções financeiras. “Cada geração tem necessidades e comportamentos financeiros distintos, e precisamos de soluções adaptadas para todas as gerações”, afirmou. Sobre o envelhecimento da população, alertou para os desafios da sustentabilidade do sistema de pensões. “Não podemos depender apenas da pensão pública. É essencial acumular poupanças ao longo da vida profissional”, defendeu, sugerindo um modelo que combine o sistema público com a capitalização individual. A educação financeira foi outro ponto essencial da sua intervenção. “É urgente ensinar finanças desde cedo. Só assim as novas gerações poderão tomar decisões informadas e preparar melhor o futuro”, alertou.
Sustentabilidade continua a ser aposta
Na vertente da sustentabilidade, João Mestre, da direção de Sustentabilidade e Nuno Gaspar Oliveira, do Impact Center for Climate Change da Fidelidade, iniciaram a sua conversa destacando a importância de refletirmos sobre a sustentabilidade e o impacto das nossas ações no futuro. Para João Mestre, a Fidelidade vai continuar a fazer parte de um grupo restrito de grandes seguradoras que estão a dar o exemplo nas práticas de sustentabilidade. Já Nuno Gaspar Oliveira falou sobre a necessidade de um novo paradigma no investimento ético e no consumo responsável, destacando que “não devemos calar o repto climático das gerações mais jovens, pois é uma oportunidade única para alterar padrões de comportamento e garantir um futuro mais sustentável“.
Recorde-se que este evento sobre o futuro da Longevidade foi o segundo de um conjunto de encontros temáticos. O primeiro evento, sobre Distribuição, teve lugar no Porto, em janeiro. O próximo evento vai incidir sobre a evolução das necessidades de pessoas, famílias, e empresas (Pensar Maior o Cliente, em Vila Franca de Xira, a 29 de maio). Este ciclo de encontros vai culminar com um grande evento de lançamento da estratégia da Fidelidade para os próximos anos, que terá lugar a 18 de outubro, em Lisboa.